Como fica o M&A associado ao Ciclo de Vida mais Curto das Empresas?

As transações de M&A tem cada vez mais deixado de ser privilégio de grandes empresas. Segundo o Portal de Fusões e Aquisições, só em 2021 cerca de 60% das 1.901 transações registradas no Brasil, foram de empresas com porte de até R$ 50 milhões.

Essa mudança de perfil para transações de empresas de pequeno porte está diretamente relacionada às transformações industriais e avanços tecnológicos observados nos últimos anos, onde os ciclos de vida das empresas, dos produtos, dos serviços e também das gerações (X, Y, Z…), têm ficado cada vez mais curtos.

Ou seja, foi-se a época em que as empresas nasciam para se perpetuar por muitos anos da forma como nasceram. Atualmente elas já nascem com o propósito de crescerem rapidamente para se transformarem em potenciais unicórnios para a venda, fusão ou aquisição de outras empresas. Os profissionais do futuro também anseiam cada vez mais por diferentes experiências ao longo de suas carreiras e os empreendedores da mesma forma não se veem mais tocando a operação de uma mesma empresa uma vida inteira. Buscam por uma vida com significado e com um bom work-life balance.

 

E o que tudo isso significa, na prática, para o processo de M&A?

Esse encurtamento dos “ciclos de vida de tudo” também é observado nos processos de M&A. Transações que antes demoravam vários meses ou anos agora já podem ser desenvolvidas em poucas semanas.

Isso acontece porque o mercado de fusões e aquisições também está mais profissionalizado. Temos mais empresas e profissionais especialistas no segmento com metodologias mais robustas para passar pelas etapas de negociação, valuation e due diligence, de maneira mais rápida e assertiva. A etapa de closing também está muito mais ágil, até devido ao reflexo da pandemia, onde os processos burocráticos de assinaturas de contratos e documentos passaram a ser online. E a etapa de integração pós fusão, conhecida como Post Merge Integration (PMI) também precisa responder a essa agilidade.

Porém, quando entramos na etapa do PMI, novos fatores passaram a ser relevantes. Antigamente os processos de PMI focavam, principalmente, na captura das famosas sinergias oriundas da integração das operações e no estabelecimento do modus operandi da nova empresa que estava nascendo. Atualmente os temas como estratégias de growth, inovação e impacto (ESG) devem ser contemplados fortemente como parte do escopo do time de integração. Além, obviamente, do tema cultura que sempre deve nortear esse processo.

Com base nas experiências adquiridas em trabalhos dessa natureza, existem algumas dicas para que a integração entre as empresas aconteça de maneira fluída e de forma a garantir a captura dos resultados vislumbrados no período de negociação:

São eles:

  • Antecipação – pensar a integração desde as etapas anteriores ao closing da operação. As etapas de negociação, valuation e due diligence sempre dão insumos importantíssimos para que a futura integração aconteça;
  • Dedicação – ter uma empresa ou área 100% focada para condução do processo de integração – frentes de Estratégia, PMO e Change Management são pré-requisitos para este processo;
  • Stakeholders mapear as pessoas chave da liderança e da operação para participação e engajamento durante o processo;
  • Ownership – definir papéis e responsabilidades das pessoas envolvidas em todo o processo;
  • Modo de trabalho – definir formato de atuação dos times – presencial, remoto, híbrido;
  • Monitoramento – definir indicadores para acompanhamento dos resultados da companhia e da integração em si;
  • Plano – ter um plano detalhado para 1, 100, 360 dias e ongoing da operação para todas as frentes: estratégia e cultura, modelo/estrutura organizacional, sistemas e tecnologia, processos, operação, etc;
  • Comunicação – manter a transparência durante todas as etapas.
  • Exclusividade – ter clareza que em processos de M&A não existe uma transação igual a outra. O bom êxito em uma transação não significa o sucesso em outras.

Como notado acima é importante estar muito atento às pessoas. No final, elas que são as maiores impactadas nesse processo e as principais responsáveis pela integração e manutenção da nova empresa que está nascendo.

Mas o que é importante?

Saber identificar quais são as motivações individuais dos colaboradores durante toda a jornada e ter flexibilidade para corrigir e adequar as arestas ao longo do caminho é tão importante quanto todas as demais etapas. Lembrando que o pós-pandemia trouxe um desafio ainda maior para manter a integração e engajamento dos times que já trabalhavam juntos. Em um processo de integração esse tema se torna ainda mais sensível, principalmente para times e empresas que aderiram o formato remoto de trabalho. Compactuar esse modo de trabalho entre todos os envolvidos é imprescindível para uma boa integração.

Em resumo, o processo de M&A hoje é diferente em função do tempo de vida das empresas.   Apesar de mais acessíveis às novas empresas, os processos de M&A se tornam ao mesmo tempo mais complexos. Ter consciência desses fatores e montar uma estratégia de condução do processo é fundamental nesse novo mercado. Não é mais questão só financeira, é sobretudo uma questão de processos e pessoas. E não é mais só uma questão a ser avaliada a partir do closing, e sim uma questão de preparação da transição desde o valuation.

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Rafaella Martins

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