O passo a passo do M&A

O cenário de fusões e aquisições em 2023 ainda não apresentou uma tendência. As incertezas diante das políticas econômicas do novo governo, a falta de perspectiva com o novo arcabouço fiscal, juros elevados e o aumento considerável de gastos públicos aumentam a insegurança sobre qualquer projeção de cenário que se possa fazer. 

Mas no Brasil sempre foi assim. Sendo um pouco mais otimista ou um pouco mais pessimista a vida do setor empresarial brasileiro nunca foi fácil e não será diferente desta vez. Dados concretos realizados através de pesquisas da Cypress mostram em 2023 uma leve queda de 6% no setor de aquisições em relação ao mesmo período do ano passado. Porém este número pode ser ainda pior. Isso porque quando falamos em Mergers and Acquisition (M&A) sempre existe uma inércia do tempo geralmente mais longo devido a transação. 

Com tudo isso a pergunta que nos fazemos é: Existe espaço para que esta prática cresça no Brasil? Destacamos aqui vários possíveis cenários de análises para responder a essa pergunta: 

Consolidação de setores

Existe um possível movimento de consolidação em setores como logística, fintechs e varejo. Isso se deve pela alta expansão de startups nos últimos 5-8 anos. Nestes setores ainda existe espaço para ganhos maiores de produtividade e escala operacional. Dessa maneira quem sair na frente tende a ter maior atratividade para potenciais investidores que estejam avessos ao risco de empresas ainda em formação e já procurem algo mais consolidado.

Corporate Venture Capital

Novas modalidades podem surgir visando atender a crescente demanda por inovação do mercado. A Corporate Venture Capital (CVC) é uma destas novidades Esta modalidade pode acelerar a busca por inovação em empresas ainda em formação por empresas já consolidadas que querem acelerar seu processo de adoção de novas tecnologias de forma recorrente utilizando o M&A como prática em seu dia a dia.  

Mercado consumidor

O Brasil possui um mercado consumidor relevante e diversificado, o que atrai empresas nacionais e internacionais em busca de expansão. Somos 215 milhões de habitantes e extremamente atuantes através dos smartfones, que atraem empresas nacionais e internacionais em busca de expansão. Um bom exemplo é observarmos o movimento midiático que a tributação das “comprinhas” feitas através da Shein causou no nosso avido mercado consumidor.

O Brasil não é para amadores

O Brasil não é para amadores!”. Frase antiga dita por vários empresários entre eles vencedores e perdedores. A frase de duplo sentido é um fato. Vivemos perenemente uma instabilidade econômica, política e mais recentemente jurídica, visto que hoje nossa suprema corte vem assumindo protagonismo em diversos assuntos que não lhe caberiam em períodos anteriores. Assim é importante destacar a importância de um ambiente regulatório e de um sistema jurídico confiável para atrair investidores e incentivar operações de fusões e aquisições. Apesar de tantas ameaças, ainda quem souber “jogar o jogo” brasileiro tendo o conceito dos negócios intensivos de capitais está convidado a ganhar margens significativas em áreas como infra estrutura, agro negócio, bens de capital e por aí vai. O Brasil é sim bastante benevolente em retornos financeiros a quem se aventura de forma organizada e competente nestes setores.

M&A, como fazer e atingir seus objetivos

Falar de M&A no Brasil sempre foi algo instigante, desde a abertura do nosso mercado para o investidor externo até o amadurecimento que a nossa economia vem vivendo. Pessoas e empresas altamente capacitadas e mão de obra qualificada pelo país trazem oportunidades e desafios que se bem dirigidas e planejadas proporcionam retornos certos. As mudanças estão acontecendo rapidamente, pois o brasileiro nunca esteve tão “antenado” quanto hoje.

O Brasil é um dos países com maior adoção de smartfones no mundo, onde informações de consumo passam a todo o momento despertando o interesse permanente por novidades e surgindo assim oportunidades. O brasileiro está aprendendo rápido, e se adaptando de forma cada vez mais veloz as tendências que aparecem. Empresas atentas a isso procuram no nosso mercado de forma recorrente parcerias fortes e consistentes para explorar o nosso promissor mercado consumidor. Independente da técnica usada para se avaliar o modelo de M&A, cada transação é uma transação. Por mais tentador que seja, é arriscado utilizar algo de “prateleira”. Por isso a importância de fazer um passo a passo seguro quando falamos de operações de M&A. Destacamos algumas etapas tais como:

Assesment

Fazer um assesment de mercado muito bem estudado. O Brasil é um território vasto de possibilidades seja para entrada regional ou nacional. Entender os potenciais e o poder de escala do negócio podem ser fundamentais para a elaboração da tese de investimento e sobretudo o capex necessário para se atingir os objetivos. Estar atento aos detalhes e a um estudo aprofundado do mercado ajuda demais na tomada de decisão e no processo do deal como um todo.

Memorandum of Understanding

Após o assesment, é fundamental fazer uma etapa de Memorandum of Understanding (MOU) bem combinada a uma estratégia clara de como multiplicar o retorno com o ativo a ser adquirido. Nesta etapa muitas vezes o mercado faz análises olhando para os múltiplos de EBITDAs de forma mais fria. Pode-se perder otimos negócios por falta de conhecimento das operações. Transações são perdidas ou mal-feitas por incapacidade e falta de conhecimento dos professionais de M&A do lado do buy side. Existem inúmeros bons negócios que podem ser feitos mesmo com a apresentação de resultados desfavoráveis pelos números da empresa a ser comprada. Frieza e boa leitura de mercado neste momento são fatores críticos de sucesso para um bom negócio.

Due diligence

A próxima fase é a tão temida due diligence. Aqui deve-se expor todos os números e nada deve ficar “debaixo do tapete” sejam eventuais passivos, contabilidade, equipes, operações e etc. Mais uma vez não é olhar somente para os números e sim para a operação e para a estratégia do comprador em alavancar o negócio com seu capital e knowhow. A due Diligence operacional poucas vezes é feita, pois os analistas de M&A acabam olhando para números que saem da auditoria realizada nesta etapa, e novamente o potencial da equipe e da operação do negócio podem ser colocados em segundo plano. Uma etapa de due diligence combinada entre números e operações trás uma visão mais holística do negócio. O input fundamental é embasado para a etapa seguinte que é closing da operação e a entrada na tomada de controle do negócio para o início do PMI.

Pós Merger Integration

O PMI quer dizer Pós Merger Integration, etapa onde toda estratégia de tomada de controle precisa ser colocada em prática. Normalmente uma fase crucial para se entender quem fica e quem sai da operação, as sinergias, o controle do caixa e a elaboração do plano de alavancagem do negócio. A fase de PMI pode ser traumática se mal planejada e executada.  Vários negócios dão errado por ações equivocadas nos primeiros 100 dias de gestão. O que se negligenciar na etapa anterior de análise e due dilligence aparecerá de forma contundente no PMI. 

Quem já passou por isso entende exatamente do que se trata. É preciso executar e acompanhar tudo da forma mais criteriosa possível. É importante redobrar os cuidados e análises pois tudo está conectado. Aqui se ganha ou se perde o jogo. Portanto coloquem suas fichas e seus melhores jogadores para fazerem o PMI e não pulem etapas. Com a execução do plano a risca e disciplina,  tudo tende a dar certo e o sucesso certamente virá.

Estas etapas do M&A são clássicas e independem da natureza do negócio. Da mesma forma que ao conectar com o início do texto, independem do governo por mais promissor ou atrapalhado que ele seja. O comprador ou sócios precisam estar conscientes dos desafios e sobretudo do plano que desejam atingir e como explorar o ativo objeto do M&A da forma mais criteriosa e analítica possível. A Manacá Partners conta com profissionais que já viveram estas experiências de ambos os lados e assim possuem um vasto histórico de PMI que podem ajudar no sucesso de sua operação a acontecer. Não hesite em nos contatar para saber mais como podemos lhe ajudar a ter retorno com o menor risco em uma transação de M&A.

 
 

 

Alexandre Ribeiro

Alexandre Ribeiro

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